Alunos apresentam trabalhos em projeto global com produtor de Hollywood

Alex McDowell é o designer de produções de Hollywood como Minority Report, Clube da Luta e Homem de Aço, entre vários outros. Seu trabalho de construção de mundos é referência mundial porque muitas vezes sua pesquisa levou de fato ao desenvolvimento de tecnologias que ainda não existiam, como foi o caso das interfaces usadas por Tom Cruise em Minority Report (2002). Hoje é também coordenador do laboratório de World Building da Universidade do Sul da Califórnia, e tem um projeto global chamado Junk Consortium no qual alunos do quarto semestre de Cinema e Audiovisual da ESPM SP participaram, durante as aulas do professor Andre Deak.

O Junk Consortium tem alunos de faculdades de 12 países com a missão de imaginar como será a Terra daqui 300 anos, partindo da mesma metodologia de criação de universos. Com apoio de McDowell, que ensinou seu método aos alunos brasileiros, e de Ignacio Trossero (Faculdade Austral, Argentina), que também dá suporte aos professores parceiros, o resultado do semestre foram vídeos conceituais que levantam questões importantes sobre nosso caminho até 2.321. Alunos estudaram diversas áreas do conhecimento para poder gerar seus trabalhos finais, que foram apresentados em inglês durante uma aula com diversos convidados internacionais.

“Parabéns a todos. Este é um grande trabalho que vocês produziram, e cada vídeo é uma boa provocação, que é o principal trabalho em se criar mundos. É bom pensar que estes vídeos possam ser o início do trabalho, e não um produto final. Vocês conseguiram ter um grande processo colaborativo aqui”, disse McDowell.

“A premissa era não ultrapassar nenhum limite impossível ou muito improvável (alienígenas estão fora, superpoderes também, por exemplo), mas qualquer outra circunstância era válida”, explicou o professor Andre Deak. “Construção de mundos é um tema transversal, que mobiliza diversos conhecimentos e áreas. Consideramos os problemas e a situação atuais do mundo, nos espectros da governança, recursos, economia, cultura, ecologia e infraestrutura, para imaginar esse outro mundo, daqui 300 anos”, contou.

O Consórcio Junk inclui universidades dos Estados Unidos, Argentina, Holanda, México, Austrália, Quênia, Dinamarca, entre outros países. No Brasil, apenas a ESPM faz parte do consórcio por enquanto. México, USC e a Universidade de Nebraska já estão na segunda edição. “A ferramenta Miro.com tornou-se fundamental na pandemia. Estou curioso agora como será quando estivermos na mesma sala. Não há nada bom no que houve no mundo em relação ao vírus, mas nos forçou a encontrar outros métodos de trabalho e cooperação”, disse McDowell. “No design de produção, é preciso ter um olhar holístico. Depois de Minority Report, percebemos que se pudermos incluir todos dentro daquele universo, vamos entender o mundo melhor. Por isso será interessante ver como cada universidade sairá deste processo”, afirmou.

A aluna Beatriz Andrade disse que “esse semestre, para mim, foi de longe o mais cansativo, mas também foi o que mais senti orgulho de tudo que saiu dos trabalhos e projetos que criei. Agora no final do semestre, óbvio que vou lembrar mais do cansaço, especialmente mental, mas sei que no futuro vou olhar e perceber o quanto aprendi (e aqui quero dizer sobre os conhecimentos acadêmicos e além deles também) e a quantidade de coisas incríveis que tive a oportunidade de fazer”. Débora Aparecida comentou o caráter internacional: “achei o projeto JUNK bem inovador e dinâmico com essa coisa de juntar e ter esse contato com estudantes e professores do mundo inteiro”.

Os alunos ainda receberam a visita do professor Marcus Nakagawa, que em 2018 lançou o livro 101 dias com ações mais sustentáveis para mudar o mundo (editora Labrador), no qual relaciona diversas ações que podem ser tomadas em prol do movimento sustentável. Por este livro, Nakagawa ganhou o Prêmio Jabuti em 2019 na categoria “Economia Criativa”. Com os alunos, ele respondeu muitas questões sobre futuros possíveis. A aluna Amanda Caruzzo lembrou que “o encontro com o Naka com certeza me ajudou a ter uma visão um pouco menos ansiosa sobre o futuro”.

Os trabalhos dos alunos do quarto semestre de Cinema e Audiovisual de São Paulo trouxeram diversas visões de futuro. Num dos vídeos, num mundo em que o petróleo acabou, talvez o plástico puro se torne um produto de luxo. Em outro, o machismo terminou, mas deu lugar a uma inversão de violências de gênero. Críticas à sociedade de consumo e à publicidade intensiva, a proibição do consumo de carne e outros temas surgiram.

“Cada vídeo nos trouxe muitas questões. Quero dar parabéns a cada aluno e aluna. Estes vídeos são uma boa antologia. É uma visão de certa forma meio Black Mirror do Junk Project, gostei muito”, disse Ignacio Trossero, da Universidade Austral, da Argentina. “É forte. Como um livro cheio de boas citações”.

Abaixo, alguns dos trabalhos apresentados.

“Aguardem, que semestre que vem tem mais”, diz o professor Andre Deak. O resultado da pesquisa das universidades deverá ser publicado numa espécie de Museu do Futuro, que está sendo ainda planejado.

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