Por: Beatriz Isabelly R Fernandes (3º semestre)
Os cineastas Flavio Cremonesi e Thiago Mota, criadores do documentário Surí – da floresta ao alvo, estiveram com a turma do 3º semestre de Cinema e Audiovisual para uma troca de experiências. Neste semestre os estudantes desenvolvem um projeto integrado, um documentário de quatro minutos, e puderam conversar sobre os avanços e etapas de projetos similares. “Surí – da floresta ao alvo” é um documentário de quase 10 minutos dirigido por Flavio Cremonesi e tem como protagonistas: Grazi Yaci e Gustavo Ywytu.
O documentário traz Grazi e Gustavo, dois indígenas da etnia Karapana que são atletas do arco e flecha e que agora tentam se tornar os primeiros indígenas a representar o Brasil nas olimpíadas. Eles querem competir representando o país no arco e flecha em Los Angeles. A narrativa se passa na Amazônia e acompanha os atletas entre seus momentos de treino, com a família e de reflexão sobre sua jornada. O curta documental retrata os protagonistas em suas rotinas após serem premiados com “Primeiro Lugar” no Grand Prix das Américas Campeonato Sul-AMericano, que ocorreu em Santiago, no Chile, em maio de 2026 e que foi a competição que garantiu o ingresso deles nas olimpíadas.
O documentário é conduzido pelo olhar de Cremonesi, formado engenheiro ambiental e especializado em manejo florestal na Amazônia e recuperação da Mata Atlântica pela ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de São Paulo). Possui 20 anos de experiência em campo na Amazônia. Dos nove estados da Amazônia Legal, não trabalhou apenas em Roraima. Foi apresentador do canal Off com programas que tratavam sobre a Amazônia e atravessou o Oceano Atlântico num balão. Agora, com o filme, espera ajudar os atletas a conseguir algum patrocínio. “O documentário é meio que um flme de venda dos atletas, possui um objetivo comercial e isso se traduz em diferentes aspectos da linguagem cinematográfica”, diz.
O diretor afirmou que certos planos foram pensados para atrair patrocinadores aos atletas, por exemplo, enquadramento dos pés deles, pois na arqueria usa-se o pé de apoio para armar o arco e se caminha até o alvo várias vezes durante o treinamento para buscar as flechas atiradas. Logo, uma marca de tênis poderia caber bem como patrocinadora dos atletas.
Outra preocupação de Flavio era a trilha sonora. Ele queria que o curta documental mantivesse um ritmo animado, mas que não perdesse a identidade indígena. Como solução escolheu chamar a Orquestra de Beiradão do Amazonas e a Orquestra Brasileira de Música Jamaica para compor e tocar a trilha sonora de seu filme.
Cremonsei contou que, apesar conhecer de perto todas as tragédias e fatalidades que ocorrem na Amazônia graças aos seus anos de experiência trabalhando nessa região (“já fui em lugar com colete à prova de bala”), ele optou por não mostrar esse lado e sim focar em algo extremamente positivo e fascinante da Amazônia, jovens atletas indígenas que representarão o Brasil nas Olimpíadas de Los Angeles.
Segundo ele, “quando a Amazônia chega até os grandes canais de notícias são noticiadas criminalidades, doenças e derramamentos de sangue. Eu queria mostrar outro lado”.
O diretor relatou a gigantesca importância do montador Thiago Mota, que também estave presente no bate-papo. Durante a montagem e pós-produção houve muita troca entre Flavio e Thiago e isso foi vital para o curta documental.
O diretor disse que foi essencial ter Thiago a seu lado dando sugestões e alternativas para a montagem e que isso alavancou o potencial do filme. Ainda reforçou muito que se fosse outro montador, o documentário seria completamente diferente, pois na montagem há a visão de Thiago com sua experiência profissional.
Mota disse que tinha sempre em mente o que o diretor queria passar, as ideias de ritmo e um filme que promovesse os atletas. Então, toda a narrativa foi construída com as imagens de cobertura e entrevistas pensnado no que o diretor queria transmitir ao espectador. Mota, formado em audiovisual, contou que essa troca entre mundo profissional e estudantes é muito gratificante, e que na faculdade, era o que mais gostava. “E olha só, ainda dá pra ganhar a vida fazendo o que a gente gosta, audiovisual, e morar em São Paulo, que não é barato”, brincou.


